Viagens & Eventos Cicloturismo Rio-Santos de Bike

Rio-Santos de Bike

Relato de viagem
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04/05/05 a 13/05/05
480km pedalando de Mogi a Angra dos Reis pela Rio-Santos 
 
Como qualquer outra viagem, essa também começou quando saí de casa, meu amigo Rodolfo fez questão de me levar até a rodoviária, e por mais que a viagem era de bike, não resisti ao convite de um amigo que eu considero muito e fui pra rodoviária de carro.
 Chegamos na rodoviária, o ônibus saia as 22:30, chegamos 30 minutos antes, e na hora do embarque o agente da empresa de ônibus não queria embarcar a bike alegando que eu teria que pagar R$ 10,00 a mais, como eu já estava por dentro do assunto, expliquei como  deveria ser cobrado o excesso de bagagem de  acordo com a lei e pedi uma nota fiscal de prestação de serviços se ele fosse me cobrar o excesso, ele subiu na agência para falar com o superior dele e voltou dizendo que eu poderia levar a bike sem problemas rsrs. O ônibus parou na estação Barra Funda em Sampa aproximadamente as 6:00h, meu destino era Mogi das Cruzes e só tinha ônibus para Mogi na estação Tietê. Eu nunca pedalei em São Paulo, claro que para muitos deve ser muito fácil pedalar da estação Barra Funda até a estação Tietê, mas para mim...  nem um pouco rsrs. O motorista do ônibus se prontificou a me deixar em uma rua que ficaria bem mais fácil chegar la, nem tirei a bike do busão, entrei novamente no ônibus e o motorista me deixou em uma rua perto do Anhembi, me explicou como chegar e fui, acho que pedalei uns 5km e já estava na estação Tietê, comi uns salgados, esperei o horário do ônibus e cheguei em Mogi aproximadamente as 9:40. Me alonguei, fiz o que tinha que fazer e sai de Mogi com destino a Bertioga aproximadamente as 10:10, nisso eu já sentia um enorme prazer de saber que eu estava realizando uma viagem que antes era só planos, ainda não tinha paisagens lindas, mas eu já sabia o que vinha pela frente.
 Muitos já tinham me falado que a estrada de Mogi a Bertioga era muito bonita, nos primeiros 8km não vi tanta beleza, mas assim que comecei a descer a serra... vi o quanto valeu ter começado em Mogi. Rapidamente cheguei a rodovia Rio-Santos, a idéia inicial era seguir sentido Rio de Janeiro, mas mudei o trajeto para Bertioga pois eu queria encontrar uma amiga que mora próximo a Bertioga e que sou muito grato a ela por dicas de pousadas e por muitas outras ajudas além dessas da viagem.
Cheguei em Bertioga no dia 04/05 as 13:30h, a tarde conheci a praia (de bike), o forte (por fora, pois achei muito caro a entrada) e não tinha muuuiiitas outras coisas pra ver em Bertioga. No dia 5 parti de Bertioga as 9:30h, decidi ir pela praia e só parei de pedalar na praia quando terminou a Riviera de São Lourenço (que apesar de muito bem falada não me atraiu tanto), mas valeu pois pedalar na praia foi muito bom, a areia molhada parecia asfalto para pedalar, foram aproximadamente 20km de pedal pela praia. Voltei para o asfalto e segui viagem pela SP-55, ao meio-dia parei para um lanche e continuei sentido a Maresias, antes de começar a serra parei para outro lanche em uma praia deserta e pequena com o nome de Praia Preta, muito pequena mesmo, mas linda, pedras, ondas e uma sombra pra descansar.
 Atravessei a serra e cheguei em Maresias as 17:00h, foi para o albergue onde fui muito bem atendido, a noite nos albergues é sempre clima de confraternização, tinha pouca gente hospedada nesse dia, 2 caras da Suiça e 1 da Califórnia, acabei fazendo amizade com o da Califórnia (Jeff) por ele ser mais comunicativo.
 Dia 06/05, acordei peguei minha câmera e fui a praia fazer algumas fotos, a praia estava cheia de ondas, linda. Encontrei o Jeff e outra moça que também estava hospedada no albergue, "surfei" sem prancha nas ondas, e tínhamos combinado que eles iriam me ensinar a surfar no dia seguinte, mas no dia seguinte não teve ondas e então só curti a praia sem surf mesmo.
 Descansado, e aproveitado bem o lugar, já estava na hora de deixar Maresias, 10:15 do dia 08/05 eu sai da cidade destinado a chegar em Caraguatatuba, parei em São Sebastião para um lanche e fotos, gostei da cidade mas tinha que deixa-lá. Aproximadamente 14:30 cheguei em Caraguá, e sinceramente não achei a cidade muito encantadora, olhei no mapa e decidi continuar até Ubatuba no mesmo dia, faltavam apenas "54km", algumas subidas (nada comparado as serras perto de Maresias e Boiçucanga) depois de 3 horas já estava no começo de Ubatuba, o tempo começou a mudar para chuva, rodei um pouco mais e percebi que o albergue ainda estava 15km longe de mim, começou a chover forte e parei em um ponto de ônibus esperando a chuva parar e já aproveitei pra comer um bolinho que estava esperando sair do alforje.
 A chuva diminuiu e resolvi continuar, eu estava na rodovia que corta a cidade e por curiosidade procurei o mar ao leste, me deparei com um canudo gigante, cinza ligando o mar e as nuvens, era um ciclone extra-tropical e eu já sabia pelo cite do clima-tempo que esse tipo de fenômeno agora é normal e inofensivo (desde que você não esteja no mesmo local rsrs). Era lindo, igual aos furacões do filme Tornado, pedalei a toda velocidade rumo a praia para tentar fazer uma foto, mas quando cheguei ele não estava mais lá, e aprendi que da próxima vez, vou fotografar de onde eu estiver. Continuei rumo ao albergue, e mais uma vez a chuva voltou, parei novamente até que decidi continuar, pois já era 18:00h e estava ficando escuro. Liguei meu back-light e continuei na chuva, sem óculos (pois estavam molhados) não conseguia enxergar direito, me guiei pelo odômetro da bike, sabia em qual km era o albergue. Faltando uns 200m para o odômetro completar a distância do albergue, achei um lugar que pensei ser o local. Não era, não tinha ninguém e nada, continuei e 200m a minha frente achei uma placa "Hostelling International". Todo ensopado chamei por alguém e apareceu um sujeito loiro sorridente e que não soltou uma palavra. Imaginei que o cara não era brasileiro e perguntei se ele falava inglês. Sim, ele era inglês. Perguntei se tinha alguém na recepção e ele me mostrou onde estava a campainha, toquei a campainha e uma moça muito simpática veio me atender: "Nossa, veio na chuva? De bike?!". Pedi uma toalha e em poucos minutos já tinha tomado um banho quente e me senti ótimo, foram 120km de pedal, no final uma chuva e um banho quente, não queria mais nada da vida. Conheci o pessoal da inglaterra, eram seis amigos de faculdade (mesma classe), quatro caras e duas moças que trancaram o curso para viajar durante um ano pelo mundo, começaram no Brasil, iriam rodar a América do Sul, Austrália, Nova Zelândia e voltar para a Europa. Bem que eu também queria fazer uma viagem dessas, mas por enquanto fico só querendo.
 Em Ubatuba eu queria conhecer o aquário, fazer fotos para meu amigo Roberval que é apaixonado por aquários, e coincidentemente os ingleses também iam para o aquário no dia seguinte e então combinamos de irmos juntos.
 Café da manhã, papo vai, papo vem (eu entendia apenas 20% da conversa, descobri o quanto o inglês britânico é diferente) e perdemos o primeiro ônibus (a cidade ficava a 7km do albergue e eles não tinham bicicletas) mas aproximadamente as 12:00h do dia 9 entramos no aquário. É proibido usar flash no aquário por motivos óbvios, a iluminação era escassa e infelizmente só sobraram duas fotos boas dos bichinhos. Depois o Tristan queria comprar um violão, mas ninguém falava português ou espanhol e claro, como eu também queria ouvir música ao vivo no albergue fui junto com eles a procura da viola perfeita. Entramos em uma  loja, ele não gostou de nenhuma, entramos em outra, ele testou um, dois, tocou o primeiro novamente e ficou com o segundo. voltamos para o albergue e a noite foi só festa, música, jogos e muita risada. Eles tentando me contar piadas da Inglaterra e ou tentando contar do Brasil, como ninguém achava a graça das piadas, o resultado era mais risada ainda.
 Deixaram o albergue no dia 10 e eu resolvi lavar minhas roupas e fazer uns reparos no freio da bike, fiquei a tarde toda descansando e conversando com a galera no albergue.
 Hora de partir, sai de Ubatuba as 10:00h do dia 11, na estrada passaram uns conhecidos do albergue de Maresias, me reconheceram e buzinaram, além dos que buzinavam que eu não conhecia. De Ubatuba para Paraty foi impressionante, tive a sensação que a estrada tinha muito mais decidas do que subidas, mesmo sabendo que as duas cidades ficam mais ou menos no nível do mar. As paisagens, ahhh, não tenho como expressar tanta beleza, nem mesmo em fotos consegui isso, mas na minha memória eu sei o quanto foi bonita aquela viagem. Na estrada encontrei um pessoal da Venezuela, e perguntei se era possível pedalar até o Caribe depois de Manaus, ele disse que sim, que tem estradas, mas isso é apenas um projeto para o futuro.
 Antes de chegar na cidade de Paraty encontrei o cais, cheio de veleiros e lindas embarcações, fiquei admirando por um tempo, fotografei e continuei meu trajeto. Cheguei em Paraty 14:50, fui para o albergue (que gostei muito), tomei meu banho pós pedal, fui conhecer a cidade e mandar uns cartões-postais para uns amigos. Paraty é uma cidade histórica, cheia de casas e objetos antigos. Achei que o centro histórico da cidade estava mais para centro comercial do que histórico, só tinha lojas de tudo quanto é coisa. A noite no albergue conheci uma galera, gente de Israel, EUA, Austrália, Holanda, Suíça e Argentina. Fomos todos para uma pizzaria, muita conversa (agora eu entendia tudo), risadas, piadas finalmente engraçadas, foi muito bom. No dia seguinte fui o primeiro a tomar o café da manhã, queria sair cedo pois tinha que pedalar talvez uns 90km até Angra. Depois do café fui até a recepção acertar o que eu devia e na saída uma moça me parou e perguntou em inglês: "Onde você vai com essas roupas de ciclista?". Contei que estava fazendo uma pequena viagem de bike, e naquele dia meu destino era Angra dos Reis, ela e outra amiga que estava junto também faziam cicloturismo, me contaram algumas viagens, conversamos um pouco e quando falei que minha viagem era de aproximadamente 450km ela disse: "Ahh, é só um pouquinho, nossa última viagem foi uns 10.000km pela América do Sul."
 Lindas francesas, cicloturistas, animadas, etc... Ahh, como eu queria uma namorada assim!! Mas não seria agora, tinha que continuar minha viagem.
 Sai de Paraty as 10:00h, apesar das minhas intenções de sair mais cedo, não pude por um bom motivo, as francesas.
 Mais um trajeto maravilhoso para minha pequena coleção, de Paraty a Angra é realmente incrível, muitas praias paradisíacas, águas transparentes, ilhas que formavam paisagens encantadoras.
 Angra dos Reis, após 100km em sete horas de pedal um pouco mais forte do que o padrão, cheguei a cidade, não gostei da cidade em si, mas o município e praias são realmente deslumbrantes. No albergue, já decidido a pegar um ônibus no dia seguinte e voltar para casa, fui convencido que não valeria a pena chegar em Angra e não conhecer Ilha Grande, mudei os planos e adiei meu retorno.
 Máquina fotográfica quebrada, fui conhecer Ilha Grande, um passeio de escuna que realmente valeu a pena, o dia todo apreciando as belezas e a vida no mar. Paramos em uma ilha pequena e quem soubesse nadar poderia dar a volta na ilha com o snorkel, não pensei duas vezes, somente eu e outro cara quiseram nadar em volta da ilha. Muitas estrelas do mar, ouriços, gigantes cardumes de peixes coloridos, etc...
 Voltei para o albergue contente por não ter deixado Angra sem conhecer Ilha Grande. No albergue fiz amizade com um alemão e outro israelense, fomos procurar um lugar pra jantar e depois conhecer a cidade, na mesma noite peguei o ônibus de volta as 22:0h do dia 12/05. Parada no terminal Tietê e problemas com a segurança, sem placas ou forma de aviso algum montei na bike e sai pedalando, derrepente parecia que tinham acionado a SWAT e um terrorista estava no terminal com uma bike (talvez eu tivesse bombas nos alforjes), mas na realidade eu não podia pedalar no terminal, por mim tudo bem, continuei empurrando a bike, se eu soubesse não teria montado, mas não, tiveram que me cercar e montar um esquema anti pedalada no terminal, achei um absurdo.
 Peguei o ônibus para Pres. Prudente e horas depois estava de volta ao planeta dos macacos, e a viagem realmente só terminou após pedalar mais uns 6km da rodoviária até em casa. Treze de maio de dois mil e cinco, dia de fortes lembranças pra mim e mais um pedal que chegou ao seu destino. Foram no total 482km pedalados em cinco dias de pedal, vinte e cinco horas pedaladas, velocidade média de 19,8 km/h, máxima de 65,2 na serra sem pedalar e média de 96,4km por dia.
 
 Um abraço a todos
 
 Ronald Moretto

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